sábado, 19 de novembro de 2016

Cristo Rei: celebração do Deus que serve, acolhe e rejeita o poder

UM REI NA CRUZ, COROADO DE ESPINHOS 

(Evangelho do 34º Domingo do Tempo Comum, Solenidade de Cristo Rei do Universo, Ano C: Lucas, 23,35-43)

A liturgia deste domingo afirma que o “Reino de Jesus é: Eterno, Universal, de Verdade, Santidade, Justiça, Amor e Paz” (Prefácio).

O povo judeu aguardava a vinda de um Rei, descendente de Davi, que segundo as profecias iria instaurar, na terra, um reino de justiça e paz. Esperaram durante séculos, 2Sm 5,1-3. O Evangelista Lucas, 23,35-43, apresenta o cumprimento dessas promessas numa cena deprimente e decepcionante para as lideranças do povo de Israel. Jesus não aparece sentado em trono de ouro, mas no “Trono da Cruz”, com uma coroa de espinhos e não de ouro, entre dois ladrões, e com a inscrição: “Jesus Nazareno Rei dos judeus”, ironia do poder imperial de Roma, insultado por um ladrão, pelos soldados e lideranças judaicas, abandonado pelos seus discípulos, mas reconhecido como Rei por um ladrão que, no suplício da cruz, pede um lugar no seu reino, Lc 23,42.43.

É no “Trono da Cruz” que Jesus manifesta a sua realeza, preside o seu “Reino” de perdão, de amor, de entrega, de vida plena. O ladrão que insulta Jesus representa todas as pessoas, de ontem e de hoje, que rejeitam os ensinamentos de Jesus; O ladrão que se arrepende, e reconhece a realeza de Jesus, representa todas as pessoas, de ontem e de hoje, que aceitam Jesus como messias, o Filho de Deus.

Jesus convida todos os cristãos a fazer parte do seu Reino, levar o seu Evangelho ao coração das pessoas; convocar homens e mulheres para construí-lo na terra. É essa a missão dos leigos, dos padres, diáconos e do Papa: Ser "Protagonista da Evangelização", (Conferência de Santo Domingo), como Ele nos convida a rezar no Pai Nosso: "Venha a nós o vosso Reino!"

Celebrar a festa de Cristo Rei não é celebrar um Deus forte, dominador, que se impõe aos homens do alto de sua onipotência e que os assusta com gestos espetaculares; É, sim, celebrar um Deus que serve, que acolhe e que reina nos corações com amor. A CRUZ é o trono de um Deus que recusa qualquer poder e honrarias, mas escolhe reinar servindo sem medida e sem olhar a quem.

Para refletir: Olhando pra Jesus, nosso Rei, pregado na Cruz, as nossas pretensões de honras, de títulos e de aplausos, as nossas manias de grandezas tem sentido? Se somos cidadãos do Reino, cujo Rei doou sua vida para que tenhamos vida, como podemos olhar para Ele, se somos egoístas, orgulhosos, se separamos as pessoas com as nossas preferencias sociais...a vida cristã não perde seu sentido? Se de fato Jesus é nosso Rei, se fazemos parte desse Reino, vamos honrar essa cidadania com dignidade e deixar que Cristo Rei, reine em nossos corações.

Pe. Cícero Roberto
Vigário da Paróquia N. Sra. da Piedade, Arara (PB).

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