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sábado, 26 de novembro de 2016

PB é o 4º do Nordeste e 8º do país que mais explorou a mão de obra infantil


Com a limitação no punho esquerdo, consequência de um acidente de trabalho, a doméstica Maria Silvino, de 54 anos, está impossibilitada de exercer a atividade. As mãos que há dois anos permitiam uma renda para ela começaram cedo no mundo do trabalho. Dos 7 aos 15 anos, Maria ajudava os pais no corte da cana-de-açúcar, em um dos engenhos de Alagoa Grande, no Agreste paraibano. Mais de 50 anos depois, a realidade enfrentada pela dona de casa na infância é uma marca na Paraíba, que em 2015 explorou a mão de obra de 41 mil crianças e adolescentes.

O retrato do trabalho infantil no Estado está na Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar (PNAD) 2016, divulgada nesta sexta-feira (25), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e refere-se às pessoas na faixa etária dos 5 aos 14 anos que estavam trabalhando em 2015. No Nordeste, a Paraíba figura em quarto lugar como o estado que mais explorou crianças e adolescentes no mundo do trabalho. Já no ranking nacional, o estado ocupa a oitava colocação.

O levantamento do IBGE detalhou ainda onde estava a exploração das crianças e adolescentes e o trabalho em atividades agrícolas, como aconteceu com Maria Silvino, é a situação mais recorrente. “Lá em casa tinham seis crianças para minha e meu pai sustentar. Então, os mais crescidinhos tinham que ajudar e o trabalho que tinha era o corte da cana”, conta Maria, que nunca frequentou a escola. “Naquele tempo, só estudava quem os pais tinha uma condição melhor. Eu não pude”, lamentou a doméstica.

AUMENTO DE 2,5%

Em relação à PNAD 2015, o percentual de crianças e adolescentes que trabalhavam aumentou 2,5%. Em 2014 eram 40 mil pessoas nesta situação. A procuradora adjunta do Ministério Público do Trabalho (MPT) na Paraíba, Edlene Felizardo, lamenta que essa realidade deva continuar crescendo na Paraíba nos próximos anos. Ela aponta o desemprego de adultos, na classe mais baixa, como um dos fatores para isso.

“A crise do desemprego atingiu principalmente a classe mais baixa da sociedade e, a extinção de programas como o PET, afetou demais essas crianças e adolescentes. O trabalho na agricultura é realmente o que mais acontece, principalmente a agricultura familiar, sobretudo na época do plantio e da colheita. Nesses dois períodos, a evasão escolar na zona rural é altíssima”, explicou a procuradora.

Edlene Felizardo lembrou ainda que o MPT vem desenvolvendo ações de fiscalização e alerta aos municípios para desenvolverem projetos de combate ao trabalho infantil.

Katiana Ramos do Correio da Paraíba
Com Focando a Notícia

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