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sábado, 26 de novembro de 2016

Pe. Cícero Roberto: Práticas religiosas que anestesiam a fé e comercializam o sagrado impedem as pessoas de verem a chegada de Jesus

EU ESTOU VOLTANDO, CUIDADO!

(Evangelho do 1º Domingo do Advento, Ano A: Mateus, 24,37-44)

Iniciamos mais um Ano Litúrgico com a celebração deste primeiro domingo do Advento. Você, como cristão (ã), é convidado a reler, à luz da Fé, a História da Salvação de Israel, anunciada pelos profetas, com o surgimento de um descendente do Rei Davi. Israel esperou por muitos anos a realização dessas profecias. Para nós cristãos, ela se cumpre com a vinda de Cristo, celebrada neste Natal. Vigilantes na fé, e através dos sinais dos tempos, aguardamos a 2ª e definitiva vinda de Cristo, a realização do Reino de Deus.

Isaías fala ao povo de Israel de um “templo novo, da nova morada de Deus, e convida: Vamos à casa do Deus de Jacó, para que Ele nos ensine os seus preceitos. Deixemo-nos guiar pela luz do Senhor, para que surja um tempo de justiça e paz”, Is 2,1-5. Esse tempo de justiça e paz, que se refere o profeta é a era messiânica, na qual todos os povos, nações, raças e línguas adorarão o único Deus. Jesus orienta seus discípulos, e nós hoje, a viverem uma fé vigilante, atentos aos acontecimentos e tribulações deste mundo para não serem surpreendidos com a volta do Filho do Homem, Jesus Cristo, Mt 24,37-44.

O evangelista apresenta três situações utilizadas por Jesus para transmitir sua mensagem: Na 1ª, Ele fala da época de Noé, quando as pessoas viviam mergulhadas nos prazeres da vida, e quando o dilúvio chegou, os apanhou de surpresa e despreparados; Na 2ª, Jesus fala do cotidiano das pessoas que não tem tempo para celebrar sua fé em Comunidade; Na 3ª, Jesus apresenta o exemplo do dono de uma casa, que dorme e deixa a sua casa ser roubada pelo ladrão.

A liturgia da Palavra deste 1º domingo do Advento nos quer fazer compreender que fé vigilante é, antes de tudo, viver ciente da vinda constante de Jesus à nossa vida para dar um rumo certo ao nosso ser cristão. Jesus se faz presente no coração dos que acolhe e se deixa conduzir pela sua Palavra, do amor-caridade para com os mais necessitados e dos que lutam por um mundo mais justo e fraterno. Atualmente certas práticas religiosas não passam de anestésico da fé, de comércio sagrado, que impedem as pessoas de ver a chegada inesperada de Jesus.

Para refletir: Isaías nos convida a frequentar a Casa de Deus e a nos deixar guiar pela luz do Senhor, 2,3; Paulo pede que deixemos de lado as obras das trevas e nos revistamos das armas da Luz, Rm 13,12; Jesus pede que estejamos sempre preparados, Mt 24, 44. E agora? O que fazer para não sermos surpreendidos com a 2ª vinda imediata de Jesus?

Pe Cícero Roberto
Vigário da Paróquia N. Sra. da Piedade, Arara (PB).

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