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segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

BELÉM 60 ANOS: Potiguaras, os guardiões das terras belenenses

Pintura rupestre deixada por indígenas em Belém/PB. 
Por Júnior Miranda

Conta-se, na história oficial da Paraíba, que essas terras paraibanas são “Terra Tabajara”. Discurso construído pelos vencedores da guerra travada contra os índios Potiguaras, os quais habitavam o litoral paraibano antes da chegada dos colonizadores europeus e dos Tabajaras, aliados de última hora dos portugueses.

Podemos dizer, portanto, que a faixa litorânea da Paraíba, adentrando até a lendária Serra da Copaoba, ou seja, a região serrana dos municípios de Belém, Serra da Raiz, Caiçara e outros municípios circunvizinhos é, na verdade, “Terra Potiguara” e não Tabajara, pra começo de conversa.

Até o século XVI, foram os índios da tribo Potiguara os verdadeiros guardiões dessas terras belenenses, que do alto da Serra da Copaoba, especialmente num ponto mais elevado chamado Lajedo do Alto, situado na pacata e aconchegante Serra da Raiz, observavam o movimento dos inimigos vindos do litoral norte.

É fato, porém, que os Potiguaras se relacionavam com outros europeus, no caso, os franceses que, inteligentemente, se inculturaram aos nativos da Serra da Copaoba e iniciaram uma relação, digamos, comercial com os Potiguaras, oferecendo utensílios diversos, e até pólvora, em troca de produtos da fauna e da flora, como o pau-brasil.

Naquele momento histórico, os franceses tinham apenas a intenção comercial, e não de posse do território ou de escravização dos indígenas, como pretendiam os portugueses e espanhóis, e como de fato ocorreu. Daí o amigável relacionamento dos “louros de França” com os nativos.

Bem, os guardiões das terras belenenses, os Potiguaras, tiveram o mesmo destino de milhões de outros índios espalhados por essas terras tupiniquins: a maioria foi dizimada violentamente pelas armas de fogo e doenças trazidas pelos europeus, e outros foram escravizados.

Alguns dos nossos Potiguaras da Copaoba ainda conseguiram escapar da matança ou aprisionamento, fugindo em direção ao Rio Grande do Norte, conhecida como terra Potiguar. Mas por pouco tempo, pois continuariam sofrendo as consequências do avanço colonizador.

Já as terras abandonadas, forçosamente, pelos Potiguaras, foram distribuídas pela Coroa Portuguesa através das chamadas Sesmarias, onde tempos depois surgiram os vilarejos, como o de Gengibre, atual cidade de Belém, na Paraíba. 

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