quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

BELÉM 60 ANOS: Cofre da Prefeitura de Belém/PB é aberto e causa espanto na população

Por Júnior Miranda

Era o ano de 1959... Após o Tribunal Superior Eleitoral declarar nulo o registro de candidatura do prefeito eleito de Belém, Manoel Xavier de Carvalho, naquela primeira eleição direta realizada no dia 02 de agosto, por ter sido até então prefeito nomeado, o que no entendimento do TSE impediria a sua candidatura, toma posse como primeiro prefeito o Sr. José Brasiliano da Costa, vice-prefeito eleito e adversário político de Xavier, pois os cargos eram escolhidos separadamente pelos eleitores.

Empossado no início da noite do dia 30 de novembro daquele fatídico ano eleitoral extraordinário em Belém, Brasiliano da Costa se dirige à sede da Prefeitura, localizada nas proximidades da atual Praça Seis de Setembro, em um imóvel do topógrafo Pedro Nobre Sobrinho, homenageado na atualidade com o empréstimo do seu nome a uma rua ao lado da referida praça.

Seguindo o cortejo político iluminado pelos lampiões, pois à época era precária a iluminação do novo município paraibano, emancipado de Caiçara dois anos antes daquele pleito, em 06 de setembro de 1957, Brasiliano e seus correligionários adentram na sede da prefeitura de Belém e se dirigem ao cofre da edilidade municipal, iluminados pela “grande tocha da democracia”, para conferir os recursos financeiros deixados pelos seus predecessores.

Para espanto de todos e infelicidade geral do prefeito Brasiliano da Costa, ao abrirem o cofre da Prefeitura de Belém não encontraram um tostão, mas, sim, uma grande ratazana, um gabiru de rabo longo, que fazia a festa dentro daquele cofre confortável para o pobre animal.

Ao final das contas, com gabiru ou sem gabiru, Brasiliano da Costa governou Belém por apenas 10 meses, pois o segundo colocado na eleição para prefeito, João Gomes de Lima, o “João Pedro”, conseguiu, na justiça, o direito de governar Belém, já que a candidatura de Dr. Xavier tinha sido anulada pelo TSE, o que, na prática, tornou João Pedro candidato único naquela eleição.

Portanto, Belém teve, digamos, três prefeitos e um gabiru desalojado oriundos daquela primeira eleição direta realizada no agourado mês de agosto de 1959: Manoel Xavier de Carvalho, primeiro prefeito eleito, mas não empossado; José Brasiliano da Costa, vice-prefeito eleito e empossado prefeito; e João Gomes de Lima, “candidato único”, segundo candidato a prefeito mais votado e prefeito empossado.

Observações:

1. O episódio do gabiru encontrado dentro do cofre da Prefeitura de Belém foi narrado pelo saudoso Abel “Dumont”, morador no distrito de Rua Nova, município de Belém, e tio do ator José Dumont;

2. Sobre a querela envolvendo a primeira eleição em Belém, conferir a monografia do historiador belenense Cezar Miranda: “A POLÍTICA EM BELÉM-PB: O PROCESSO EMANCIPATÓRIO, AS TRAMAS POLÍTICAS E A DISPUTA PELA HEGEMONIA DO PODER LOCAL (1957-1966)”.

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