terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Flamboyants, os pavões do Brejo paraibano

Flamboyant florido no canteiro da Rua Brasiliano da Costa, em Belém/PB. Foto: Cezar Miranda.

O Correio Belenense reproduz a matéria intitulada “Flamboyants, os pavões do Brejo”, de autoria do jornalista Hilton Gouvêa, publicada há 10 anos no Jornal A União, sobre os exuberantes flamboyants que embelezam, nesta época do ano, a paisagem da região do Brejo paraibano, inclusive da cidade de Belém e do distrito de Rua Nova. Confira a matéria:

Flamboyants, os “pavões” do brejo

Nesta época do ano, quando as chuvas começam realmente a molhar o Nordeste do Brasil, os flamboyants se exibem como pavões vegetais na paisagem do Brejo paraibano. São árvores exuberantes, que atingem até 15m de altura, ostentando uma folhagem cor de fogo ou amarelo-alaranjado.

O quadro que aí se forma é um proposital contraste com o verde serrano, que se estende entre Guarabira, Bananeiras, Remígio e Arara, municípios situados a uma distância média de 140 Km da Capital.

De acordo com os trabalhos científicos especializados, os flamboyants, quando em plena folhagem, apenas demonstram que a primavera tem espaço por aqui. Será? No Cerrado e na Região sudeste, os Flamboyants ocorrem de outubro a janeiro. Aqui na Paraíba, a região brejeira goza deste privilégio no período de dezembro a março. Sendo assim, os flamboyants são mais pródigos nas terras tabajaras, onde vicejam boa parte da primavera e do verão.

O flamboyant, que erroneamente era tido como uma árvore típica do cerrado, não tem origem brasileira. Conta-se que as primeiras mudas foram trazidas de Madagascar e da Costa Leste da África, no início do século XIX. Corre outra versão de que corsários franceses empenhados em comercializar o ibirapitanga com os índios, teriam trazido esta planta para o Brasil no final do século XVIII, disseminando-a em áreas planas do Rio de Janeiro.

O nome flamboyant teria a sua origem aí, por significar flamejante, em francês. Esta denominação pode ser explicada por causa das cores vermelha, laranja e amarela que suas flores apresentam, ficando mais cintilantes como sol a pino. Com o nome científico Delonix regia, o flamboyant também é popularmente conhecido como "árvore dos namorados", "flor do paraíso" e "rainha do verão".

Lendas e histórias envolvem a origem da planta

Flamboyant florido na zona rural de Belém/PB. Foto: Júnior Miranda

A trajetória histórica do flamboyant no Brasil é divergente entre alguns autores. Na versão de La Rubya, esta árvore da família das leguminosas, é originária das ilhas do oceano Índico e foi levada para Portugal no final do século XV ou no ínício do Século XVI, quando surgiram as grandes viagens náuticas de Vasco da Gama e Pedro Alvarez Cabral. Chegou ao Brasil com D. João VI, na histórica fuga de Lisboa para o Rio de Janeiro, em 1808. Nesta época, a família real portuguesa, acossada pelas tropas napoleônicas do general Junot, veio parar nas terras brasileiras e muitos nobres trouxeram algumas mudas para a futura pátria.

Históricos divergentes à parte, nas terras tupiniquins o flamboyant adquiriu, de imediato, uma lenda. Diz-se que uma árvore sem flores chorava a sua desdita no meio da floresta. Tupã, Deus de todas as coisas, apiedou-se e ordenou, com voz de trovão: "Que os raios de fogo do sol ardente transformem esses ramos verdes em milhares de flores rubras como o fogo". A ramaria da mata afastou-se e o milagre aconteceu. A partir de então, o flamboyant passou a destacar-se nas paisagens verdes.

Os fidalgos da Casa Real Portuguesa que acompanharam D. João VI na fuga para o Brasil ocuparam os melhores imóveis que o Rio de Janeiro dispunha, no ínício do século XIX. Os avaliadores do Reino examinavam o imóvel, colocavam as iniciais PR na parte mais visível e, depois de considerá-lo apto para abrigar uma família nobre, emitiam um ultimato para os donos serem despejados em 24 horas. As letras PR queriam dizer que a casa estava à disposição de D. João, o príncipe regente, e sua comitiva. O povo carioca, já muito dado à galhofa dizia que aquilo queria dizer "ponha-se na rua".

Tempos depois, alguns flamboyants começaram a vicejar nos jardins das casas confiscadas. O povo, então, dizia que a folhagem vermelha significava o sangue dos proprietários, sugado pelos nobres portugueses. Depois de superado o período de revolta do povo carioca, a população nativa começou a adotar aquelas árvores vermelhas como plantas ornamentais de seus jardins. Não se sabe bem como os flamboyants chegaram à Paraíba.

Mas, como as primeiras ocorrências foram vistas em Baía da Traição e na Serra da Cupaóba (Serra da Raiz, Duas Estradas, Caiçara, Belém) suspeita-se da interferência dos franceses. No Litoral Norte e na Copaoba, os franceses fundaram suas primeiras feitorias, formando parceria com índios potiguaras, na comercialização do pau-brasil.

Saiba mais

Os flamboyants são árvores frondosas, de copa rala, embora forneçam boa sombra. Atingem mais de 15m de altura. Seu plantio é aconselhável em jardins com muito espaço. Nunca sobre calçadas ou perto de paredes. A semente brota com dois meses de plantada. Após o sexto mês ou um ano de idade não exigem cuidados especiais, a não ser o da podagem periódica e da remoção de galhos estragados.

Fonte: Jornal A União (01/03/2007)   

Nenhum comentário: