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sábado, 18 de março de 2017

3º Domingo da Quaresma: Jesus Cristo, fonte de água da vida eterna.

Por Pe. Cícero Roberto
Vigário da Paróquia N. Sra. da Piedade (Arara/PB)

A Liturgia da Palavra, deste 3º domingo da quaresma, nos convida a meditar sobre a água da vida, que brota da Palavra de Jesus e sacia a nossa sede de paz, satisfaz nossas reais necessidades.

O povo de Israel, revoltado contra Moisés diz: nos tiraste do Egito para nos matar de sede neste deserto? Moisés intercede pelo seu povo e Deus faz brotar água da rocha de Horeb, e sacia a sede do seu povo (Ex 17,3-7). Através de Moisés, Deus mata a sede do povo no deserto. Nisto se configura a imagem de Cristo, que no futuro dará a água da vida, que é o Espírito Santo. Somente Deus pode saciar a nossa sede. Jesus água viva é alimento para os que são fiéis à Igreja (Rm 5,1-2.5-8).

Jesus chega à cidade de Sicar, na Samaria, e senta-se junto ao poço de Jacó. Uma samaritana veio tirar água. Jesus lhe diz: “dá-me de beber”. A mulher reage, lembra a Jesus que judeus e samaritanos não se dão bem (Jo 4,7-9). Apesar da divergência religiosa, racial e biológica, Jesus provoca um diálogo, quebra preconceitos, toma a iniciativa dizendo: “Se tu conhecesses o dom de Deus e quem é que te pede: ‘Dá-me de beber’. Tu mesma lhe pedirias a ele, e ele te daria água viva” (Jo 4,10).

Esta água que Jesus oferece é símbolo do espírito de Deus, é o único amor que preenche o vazio dos corações humanos. Desse encontro surge uma mútua e grande revelação. Jesus se revela como o Messias, o Salvador, o verdadeiro Templo de Deus (Jo 4,21-24). A mulher percebe que, mesmo tendo vivido com cinco maridos, sua alma está vazia, e que sua sede não era apenas física, mas a falta do verdadeiro amor no coração. Aos poucos vai reconhecendo a pessoa de Jesus: Primeiro, o ver como simples viajante judeu; depois o chama de Senhor, de profeta, e, por fim, descobre que é o Messias esperado pelo povo.

Os “samaritanos” de hoje não conseguem deixar de lado o velho balde de suas ambiciosas pretensões. Eles procuram saciar sua sede de felicidade no acúmulo de valores, materiais e espirituais, supérfluos oferecidos pelas propagandas mentirosas dos meios de comunicação social. Mas nada os satisfazem, a não ser provisoriamente. Eles se escondem por trás de uma máscara social, politica e religiosa; vivem imersos e isolados num ciclo social medíocre, bebendo e comendo dos bens de consumo, que tentam, ilusoriamente, saciar sua sede de paz. São pessoas incapazes de ouvir o outro, não conseguem parar de falar e de justificar sua incapacidade de mudar de vida; gostam de afetos, de ser amados, mas são incapazes de retribuírem um carinho, uma gentileza.

Precisamos largar de lado o nosso velho balde do modismo, do supérfluo, do comodismo, e ir ao encontro de Cristo, que sempre está sentado ao lado do poço do nosso coração, disposto a nos falar e a nos convidar para revisar nossa vida, o sentido do nosso ser cristão. Deixemos que a Palavra do Senhor nos transforme em autênticos adoradores do Pai, em espírito e verdade.

Pe. Cícero Roberto

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