sábado, 4 de março de 2017

A Palavra de Deus liberta-nos das tentações e esquemas dos “deuses” de ontem e de hoje

Comentário do Padre Cícero Roberto, vigário da Paróquia N. Sra. da Piedade, Arara (PB), sobre a Liturgia da Palavra dominical:

O homem (Adão e Eva) foi criado do pó da terra e recebeu do Criador o sopro da vida para viver plenamente feliz. Deu-lhes um Jardim, o Planeta, como morada, que além das plantas frutíferas, havia também a "Árvore da vida e a árvore do conhecimento do bem e do mal". A “árvore da vida” simbolizando a imortalidade e a "árvore do conhecimento do bem e do mal" simbolizando a autossuficiência dos que procuram a felicidade por conta própria, longe de Deus.

Quando Adão e Eva percebem que foram enganados pela serpente logo “sentiram-se nus” (Gn 2,7-9;3,1-7), ou seja, despojados da imortalidade, dos dons de Deus, por romperem com o plano de Deus. A “serpente" era uma divindade na religião dos cananeus. Para o autor do Gênesis, é símbolo de tudo o que afasta o homem de Deus, de seu projeto de vida.

A proposta do autor, do Livro do Genesis, é apresentar uma catequese sobre a origem do bem e do mal, não fazer um relato histórico da criação do mundo e do homem.

Pela desobediência de um homem, o pecado e a morte atingiu a humanidade. Mas se por um homem o pecado e a morte entraram no mundo, também é verdade que por um Homem, Jesus Cristo, nos veio o perdão e a vida plena (Rm 5,12-19).

Tentação no deserto

Jesus vai ao deserto e passa quarenta dias orando e jejuando, e aí é tentado pelo inimigo a deixar de lado o Projeto Salvador do Pai e buscar a riqueza, o poder e o prestígio... Jesus recusa seguir esse esquema diabólico, e mostra sua fidelidade à vontade do Pai, recusando aceitar esse estilo de vida, (Mt 4, 1-11).

A oração e o jejum, no deserto, o fortalece diante das tentações: da riqueza, recusa dizendo: “Não só de pão vive o homem, mas de toda Palavra que sai da boca de Deus”, v. 5; À tentação do prestígio, disse: “Não tentarás o Senhor teu Deus”, v. 6; E à tentação do poder, Jesus diz: “Adorarás ao Senhor, teu Deus, e somente a ele prestarás culto”, v. 10.

Essas tentações são apresentadas como uma catequese, cujo objetivo é levar o cristão a refletir sobre a sua vida de fidelidade no seguimento de Jesus: A nossa vida não se alimenta só de pão, mas e principalmente da Palavra de Deus: "Nem só de pão vive o homem...".

Assim como Jesus, podemos deixar de lado a tentação do prestígio, de uma vida de êxito fácil, como levam os políticos corruptos, acusados no processo da “Lava Jato”, ou através de gestos espetaculares, como fazem certos líderes religiosos, para serem admirados e aclamados por multidões de fiéis.

Precisamos ser forte na fé para não tentarmos a Deus a resolver nossos problemas sob o poder da magia. Só quando acolhemos de fato a Palavra de Deus, quando permanecemos em comunhão com Ele é que teremos força para vencer as tentações de abandonar o Projeto de Deus e deixar de lado os esquemas dos deuses de ontem e de hoje.

Neste tempo de quaresma aproveitemos para fazer nosso deserto, mergulhar em nosso interior e nos encontrarmos conosco mesmo. Em oração e jejum, façamos uma faxina interior, e retiremos do coração: a vaidade, orgulho, poder, fama, maus hábitos, e tudo que nos distancia de Deus e dos irmãos. Este é um, entre tantos outros exercícios quaresmais, que nos fortalece diante das tentações de hoje.

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