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sábado, 22 de abril de 2017

A primeira comunidade cristã e o encontro com o Cristo ressuscitado

A incredulidade de São Tomé, por Caravaggio.

Por Pe. Cícero Roberto*

O Evangelho deste segundo domingo de Páscoa, João 20,19-31, narra duas aparições de Jesus. A primeira aparição, (versículos 19-25), ocorreu na tarde do dia da Ressurreição, no domingo, primeiro dia da semana. Os apóstolos estavam reunidos em casa, a portas fechadas, com medo das autoridades religiosas dos judeus. Apesar de Maria Madalena ter falado que Jesus estava vivo, de Pedro e João terem vistos os panos e o sudário dentro do túmulo vazio, mesmo assim a tristeza ainda tomava conta do coração dos apóstolos.

Estavam cheios de dúvidas sobre a ressurreição de Jesus, quando Ele entra e se põe no meio deles e os saúda com sua paz, se identifica, mostrando-lhes as chagas do seu corpo. “Jesus sopra sobre eles o Espírito Santo e os envia em missão, revestidos de poder: A quem perdoardes os pecados, eles serão perdoados; a quem não perdoardes, eles lhes serão retidos”( versículos 22.23). Apesar dos pecados dos seus amigos, Jesus oferece seu perdão, mostra-lhes a misericórdia divina.

A segunda aparição (versículos 26-29) aconteceu oito dias depois da primeira aparição. Os apóstolos estavam reunidos novamente, no primeiro dia da semana, e com eles estava Tomé. Jesus pôs-se no meio deles, os saudou com sua paz, e mostrou as chagas do seu corpo a Tomé. Este professou sua fé dizendo: “Meu Senhor e meu Deus”. Jesus o repreendeu: “Você acreditou porque me viu; felizes os que creem sem terem visto” (versículos 26-29).

Lucas descreve, em At 2,42-47, um modelo de Comunidade, de Igreja que surgiu a partir do ensinamento e do testemunho dos apóstolos sobre o Cristo ressuscitado. Uma Comunidade perseverante na fé, na Palavra, na oração, na caridade e na Eucaristia.

Como seria bom se hoje as nossas comunidades fossem um ponto de encontro de irmãos na fé, na Palavra, no perdão, na Eucaristia, na partilha, e no amor, já que rezam tanto... O que será que Cristo espera de nós, os cristãos de hoje? O bom seria que nossa “Igreja”, nossas comunidades fossem uma referência de fé cristã autêntica, de fiéis discípulos do ressuscitado, para a hipócrita e corrupta sociedade atual. O ideal seria se os apóstolos da atualidade fossem coerentes com seus pronunciamentos, muitas das vezes obscuros, abstratos...Talvez pudessem atrair os cristãos afastados da Igreja.

Pontos de reflexão: A sua Comunidade é lugar de encontro com o Ressuscitado ou apenas de pessoas? Na sua Comunidade há união, há estudo da Palavra de Deus, há perdão, existe a paz que Cristo ressuscitado deseja? Pelo que se vê e se ouve, em sã consciência, podemos dizer que Jesus é nosso "Deus e Senhor"? 

* Vigário da Paróquia N. Sra. da Piedade (Arara/PB)

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