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sábado, 15 de abril de 2017

Ressurreição do Senhor Jesus: mistério central da fé cristã


Por Pe. Cícero Roberto*

Celebramos, neste domingo de Páscoa, o mistério central da fé cristã: a ressurreição de Jesus e a certeza de ressuscitarmos com Cristo. É o dia da Passagem da morte para a vida, é o dia da vitória da vida sobre morte, é dia de alimentar a esperança na vida eterna, é dia de louvor.

Celebrar a ressurreição de Jesus é proclamar o principal mistério da nossa fé, o maior acontecimento da história de todos os tempos, que transcende todo e qualquer método das ciências exatas e sociais. É um fato real da fé cristã, que deve ser celebrado e testemunhado com muita alegria, não apenas hoje, mas ao longo de todo o itinerário da vida cristã.

Nossa profissão de fé na ressurreição de Jesus, conforme anúncio das Escrituras, o testemunho dos profetas e dos apóstolos, é fruto do dom de Deus, é gratuidade divina. A fé cristã na ressurreição de Jesus se fundamenta, principalmente, no testemunho ocular daqueles que conviveram com Jesus, durante sua vida pública, desde a Galileia, Samaria e Judeia. “Vós sabeis o que aconteceu com Jesus de Nazaré. Nós somos testemunhas que Deus o ressuscitou no terceiro dia e que se manifestou a nós, que comemos e bebemos com ele, depois que ressuscitou dos mortos” (At 10,37-41). Pedro, na casa de Cornélio, faz o anúncio central da fé cristã. Batizando Cornélio e família, Pedro ensina que a vida nova, que nasce de Jesus, é para todas as pessoas, como dom gratuito do ungido de Deus.

O Evangelho, (João 20,1-9), relata que Maria Madalena vai, ao amanhecer do primeiro dia da semana, ao túmulo de Jesus e viu que a pedra tinha sido retirada do túmulo. Ela avisa a Pedro e a João: “Tiraram o Senhor do túmulo e não sabemos onde o colocaram”. Maria é a nova comunidade dos discípulos desorientados, por causa da morte de Jesus, que ainda não compreende a dimensão salvadora da morte e ressurreição de Jesus.

Pedro, quando entra no túmulo, vê as faixas e o sudário no chão, mas não diz nada, silencia. Ele não admitia que a vida nova passasse pela morte de Cruz; entendia a morte de Cruz como um castigo e não como ato de redenção de Deus.

João, "entrou no túmulo, viu e acreditou". Acreditou não só porque viu os panos no túmulo vazio, mas porque entendeu o que disse Jesus: “Eu sou a Ressurreição e a vida”. O discípulo amado é o modelo da Nova Comunidade Cristã, recriada pela morte de Cruz e ressurreição de Jesus. Dos apóstolos, apenas ele se faz presente ao pé da Cruz, na hora da morte de Jesus, juntamente com a Mãe de Jesus e algumas mulheres... Ele entendeu que a morte de Jesus é salvadora.

A prisão, a paixão e a morte violenta de cruz de Jesus abalaram as pretensões dos apóstolos e causou dispersões e reações diversas entre os discípulos. A aceitação da ressurreição de Jesus, tanto dos apóstolos como dos discípulos, passou por um longo e penoso processo de maturação da fé. A base de amadurecimento da fé cristã se deu a partir dos escritos sagrados do Antigo Testamento, dos anúncios proféticos, dos ensinamentos e aparições de Jesus, dos testemunhos dos apóstolos e alguns discípulos. O aprendizado da vida de fé dos primeiros cristãos, como dom de Deus, na ressurreição de Jesus como senhor da vida, foi longo e difícil, mas à luz da ação do Espírito Santo, brotou, lentamente, a sabedoria da fé no Cristo ressuscitado e se firmou como herança para as gerações futuras.

Apesar de Páscoa significar passagem da Morte para a Vida, ainda hoje, em nossa sociedade “cristã” há muitos sinais de morte: Violência, abortos, drogas lícitas e ilícitas, suicídios, fome, corrupção e desemprego...

Para refletir: O que deve morrer no meu interior, para surgir uma nova vida com mais fé e esperança? O que preciso fazer para que a minha fé na ressurreição de Cristo, seja fruto da graça de Deus e não apenas da sabedoria humana?

Feliz Páscoa para você e sua família!

*Vigário da Paróquia N. Sra. da Piedade, Arara/PB

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