sábado, 29 de julho de 2017

Liturgia: Um Tesouro escondido dentro de vós

Parábola do Tesouso Escondido. 1630. Por Rembrandt, atualmente no Musée des beaux-arts em Budapeste, na Hungria.

Pe. Cícero Roberto
Paróquia N. Sr. do Bonfim (Serra da Raiz)

Neste domingo somos convidados a refletir sobre os valores essenciais na vida do cristão: a sabedoria, a generosidade e o discernimento. Esses valores da sobrevivência da fé exigem renúncia, urgência e alegria, como caminhos que nos leva encontrar o Tesouro escondido.

O primeiro livro dos Reis 3, 5.7-12, apresenta o jovem Salomão como o escolhido de Deus. Ao jovem rei, em sonho, Deus se manifesta, e sugere que ele peça o que quiser. Salomão não pede riqueza e nem poder, pelo contrário, pede o essencial para seu reinado: “um coração compreensivo e generoso para governar o povo e saber discernir entre o bem e o mal” (1Rs 3,9). E Deus lhe concede, além de um “coração sábio”, outros valores que não foram pedidos pelo jovem rei: riqueza, glória e vida longa. 

Paulo, na sua carta (Rm 8,28-30), nos ensina que Deus, em seu amor, nos chama e "predestina" a sermos conformes à imagem do seu Filho, na prática da justiça.

Jesus compara o Reino de Deus como sendo um Tesouro escondido no campo (Mt 13,.44), a um comprador de Pérolas preciosas. Quando encontra uma, vende tudo que tem para adquiri-la (V.45.46), e a uma rede cheia de todo tipo de peixes, (Mt 13,47). Nas parábolas do Tesouro e da Pérola, Jesus apresenta algumas atitudes que devem ser tomadas pelas pessoas que procuram o verdadeiro Tesouro, o Reino de Deus: A primeira atitude é renunciar de imediato os bens que impedem a pessoa de ir ao encontro de um bem maior, que é o próprio Jesus. Segunda atitude: É preciso ter coragem, ousadia, em deixar tudo, casa, pai, mãe, filhos, TV, superstições, crendices, comércio, futebol e se dispor a pagar o preço que for necessário, sem negociar, para adquirir esse Tesouro, ou essa Pérola tão preciosa que é o próprio Jesus Cristo. Vale a pena trocar todo e qualquer bem deste mundo pelo Reino de Deus, Bem maior, cujo valor é inestimável.

Para encontrar o Reino de Deus, para encontrar-se com Jesus, não precisa ir muito longe, viajar por Santuários, regiões ou países distantes, basta olhar para si mesmo, e tentar encontrá-lo num cantinho do seu interior. Mas para isso é preciso renunciar a tudo e a todos e se dispor a pagar, de imediato, qualquer preço. Não é fácil deixar de lado a vida corriqueira do cotidiano, mas também não é impossível, basta ter um pouquinho de fé e querer mudar de vida, e com humildade reconhecer-se necessitado da sabedoria de Deus, que Jesus vai providenciar os recursos, os meios necessários para encontra-lo.

Apesar de vivermos num mundo descrente, violento, corrupto, entre bons e maus, justos e injustos, não podemos achar que não tem mais jeito, que tudo está perdido, ou que todos terão a mesma sorte, um dia. Lembre-se da Parábola da Rede cheia de todo tipo de peixes, é bom notar que a “seleção dos peixes bons e ruins, feitas pelo Pescador, Jesus, só se dar no final da pescaria” (V.47). Essa rede simboliza a Igreja, composta de todo tipo de gente, e que um dia, o Pescador Jesus, vai, com seus anjos e santos, separar os peixes bons dos ruins, as pessoas boas das ruins, os justos dos injustos.

As leituras, 1Rs 3,5.7-12; Rm 8,28-30; Mt 13, 44-52, nos questionam: Que tipo de renúncia tenho feito, em minha vida, para ir ao encontro do Reino de Deus? Tenho consciência de que preciso renunciar algum bem para adquirir o Tesouro, ou Pérola, que nos fala o Evangelho? Onde e em que campo estou procurando o Reino de Deus? 

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