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domingo, 16 de julho de 2017

Liturgia: Semear as sementes do perdão, da paz, da fé e da esperança

O Semeador - 1888. GOGH, Vincent Van
Por Pe. Cícero Roberto
Paróquia Nosso Senhor do Bonfim (Serra da Raiz/PB)

O Semeador e a Semente

Neste 15º domingo [do Tempo Comum], a Igreja nos convida a refletir sobre o valor da Palavra de Deus e os tipos de "terrenos", ou seja, de corações, narrada na Parábola do Semeador.

O Profeta Isaías reanima na esperança do povo que vivia no exílio, afirmando que Deus é fiel em suas promessas, ao comparar a Palavra de Deus à chuva e à neve, que cai e não volta, sem antes irrigar a terra. Assim é a Palavra de Deus, quando anunciada "não voltará, sem ter cumprido a sua missão", (Is 55,10-11). Deus é fiel e não esquece o seu povo.

Paulo ensina que o tempo da semeadura é difícil, e dolorosa é a espera, por se tratar do início de uma nova vida que vem chegando, (Rm 8,18-23).

O fruto da Palavra de Deus só depende da qualidade do terreno, ou seja, do coração, (Mt 13,1-23). As Sementes, lançadas pelo Semeador, caíram em terrenos diferentes: o da beira do caminho; o pedregoso; o dos espinhos e o da terra boa.

Os discípulos, quando ouvem a parábola, perguntam a Jesus: por que falas ao povo em parábolas? “A vós foi dado a conhecer os mistérios do Reino dos Céus, para que se cumpra a profecia: ‘Havereis de ouvir, sem nada entender. Havereis de olhar sem nada ver’”, e Jesus conclui: “O coração desse povo é insensível”, (Mt 9,10-15).

Aos discípulos, Jesus explica a parábola: “Os que ouvem a Palavra do Reino e não a compreende, vem o maligno e rouba o que foi semeado no coração” (é o terreno da beira do caminho). A semente que caiu no terreno pedregoso é a pessoa que ouve e acolhe a palavra com alegria, mas por ser inconstante, quando chega o sofrimento acaba desistindo... As pessoas que se preocupam mais com as riquezas materiais são iguais ao terreno cheio de espinhos, a palavra semeada no seu coração é sufocada, não produz frutos... As pessoas que ouvem a Palavra e a compreende, são comparadas à terra boa que produz bons frutos...

No tempo de Jesus, como no atual, há pessoas que não acreditam na Palavra de Deus, porque tem o coração duro... Há os inconstantes, os que acolhem a Palavra, mas logo desistem de segui-lo... A Palavra de Jesus exige mudança de vida, contraria interesses pessoais de muita gente, por isso, rejeição da sua Palavra.

A Parábola do Semeador é uma resposta de Jesus aos que o rejeitam. Essa rejeição não significa, no seu tempo, como não significa nos dias atuais, perda de sua força salvadora.

Os terrenos: O da beira do caminho, o pedregoso, o dos espinhos, símbolos de corações humanos, são os obstáculos que a Semente da Palavra encontra para produzir seus frutos... É missão dos cristãos, ensinar que Deus continua lançando a sua semente em todos os corações: os endurecidos, ou mesmo os apegados aos prazeres do mundo... Há os que têm “aparência religiosa”, mas por darem preferência às riquezas desta vida, acabam sufocando a Palavra.

Os frutos não dependem da Semente e do Semeador, mas única e exclusivamente da qualidade do coração, a exemplo da terra boa da parábola... Jesus é o semeador por excelência do Pai... Ele continua semeando em todos os tipos de terrenos... Nós também devemos semear a semente do perdão e da paz, a semente da fé e da esperança, apesar da violência e da corrupção, da fome e da miséria, porque a Palavra de Deus semeada jamais deixará de produzir seu fruto no tempo oportuno...

Para Refletir: Que tipo de terreno somos nós? Em vez de questionar o "Semeador", o pregador da Palavra de Deus, por que não questionamos a nós mesmos, como ouvintes?

Cuidamos do nosso terreno, retirando as pedras e os espinhos que impedem a Semente crescer e dá frutos? Que tipo de semente você está semeando?

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