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sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Uma crônica em homenagem à Dona Vivi, ex-primeira-dama de Belém/PB

Dona Vivi morreu na última sexta-feira, 11 de agosto de 2017, no distrito de Rua Nova.

Por Martinho Alves*

RUA NOVA: SETE DIAS DEPOIS, SEM VIVI

Há muitos anos, chegavam a Rua Nova [distrito no município de Belém/PB], vindos de Natal, onde contraíram matrimônio perante Deus e a sociedade, os jovens Rodolfo Pedrosa e Severina Maia. E fixaram logo residência no lugarejo que apesar de pobre e sem energia elétrica, era e ainda hoje é riquíssimo porque tem um povo maravilhoso e hospitaleiro. Como quem conhece essa gente dela se torna irmã e bebendo da água da terra por ela se apaixona cada vez mais, eles aqui permaneceram, tiveram filhos, netos e bisnetos. Nunca quiseram trocar o carinho deste povo por nenhum conforto de cidade grande, por mais famosa e formosa que fosse.

Depois que Deus chamou Rodolfo à sua presença no reino celestial (1997), dona Vivi, como ficou conhecida, se decidiu continuar aqui residindo e tocando com a família as atividades do marido e delas conseguindo ganhar o pão de cada dia, que sempre deu para alimentar aos seus e àqueles que lhe procuravam de mãos estendidas. Do pouco fez muito, talvez por acreditar no que dizem os tementes a Deus, de que quem dá aos pobres ao Senhor empresta ou quem acolhe a quem tem fome a sua mesa sempre será farta.

A sua residência parecia não ter portas, pois estavam sempre escancaradas desde as primeiras horas da manhã, como se para receber a luz do sol, até os momentos em que se recolhia com a família para o descanso merecido de mais um dia vivido.

Ali no casarão de Vivi e Rodolfo, ela viveu o seu reinado de amor e fraternidade, sendo visitada diuturnamente por ricos e pobres, anciãos e jovens, letrados e analfabetos, humildes servidores e também agricultores e pecuaristas. A boa acolhida era a sua marca maior e bem falam disso as incontáveis mesas fartas, ao redor das quais tantas prosas aconteceram, tantas histórias foram contadas.

Chega Lourdes, traz um docinho aqui, um bolinho e uma tapioquinha. Serve um pãozinho quente com manteiga e café. Ou, vamos almoçar gente, a comida está na mesa e bem quentinha, e a carne está muito gostosa! Era sempre assim. Só não comia quem realmente não quisesse.

E não é que num belo dia da década de 1950, minha querida Vivi Pedrosa abriu as portas e recebeu o peregrino de Jesus e devoto fervoroso de Nossa Senhora da Conceição, frei Damião de Bozano? Deus é muito bom.

Para não dizer muito mais e não arrancar mais pranto, desta casa onde se declara amor a Deus em momentos especiais, ouso a Ele erguer o pedido de que tenha recebido a sua filha Vivi e a ela dê o merecido descanso eterno.

*Historiador e professor aposentado da UEPB/Campus III  Guarabira

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