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sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Brejo paraibano: caminhos de riqueza natural e diversidade cultural

Sítio Mufumbo, município de Belém/PB
Por José Nunes
Jornalista

Caminhos do Brejo

Num olhar para quatrocentos anos de história, percebe-se que foi seguindo as nascentes dos Rios Paraíba e Mamanguape, subindo e descendo serras íngremes, abrindo as matas e construindo moradias nas encostas das cercanias surgiram as cidades, conforme narra João Lyra Tavares em seus “Apontamentos para a História Territorial da Parahyba”, de 1909, livro que me fez recordar os temos remotos de minha terra, outrora inóspita e estranha.

Na região do Brejo, de belas montanhas, emaranhada de veredas e esquisitas trilhas, formaram-se aglomerações familiares que muito se dedicaram a exploração das riquezas da terra, confrontando-se com o tacape dos antigos habitantes.

No alvorecer do século dezenove aflorou o cultivo da cana e do café, sob o beneplácito da força econômica da Corte. Das metrópoles como Recife viviam os barões do açúcar e exportavam a moda para os povoados que surgiam.

As várzeas do Rio Paraíba e os alagadiços do Brejo paraibano se transformaram em regiões promissoras com engenhos rodeados de verdejantes partidos de cana que as moendas trituravam para transformar em açúcar e rapadura, e nos lugares mais ermos as fazendas de gado garantiam a alimentação da nobreza.

Temos consciência de que o clima agradável, a beleza exótica das serras e as paisagens exuberantes deste lugar, que outrora encantaram os senhores da Monarquia e depois os donos da República, podem oferecer muitos mais como atrativo ao desfrute do prazer e da paz espiritual.

É preciso um projeto que suscite não apenas a curtição de músicas, mas acenda o debate sobre as potencialidades econômicas que a região possui. A professora Zélia Almeida, estudiosa da história e das riquezas da região, como filha de tradicional família do Brejo de Areia, tem pronto projeto que, feitas pequenas adequações, poderia ser a redenção do lugar.

Os caminhos do Brejo passam pelo olhar para sua riqueza natural, ainda inexplorada, disso temos consciência. Não bastam as construções de bangalôs cada vez mais sofisticados para acomodação de pessoas que chegam e se vão depois de um final de semana, quando muito, mas é preciso que esta presença se transforme em possibilidade de transformação da paisagem física das cidades.

Não sejam apenas casas onde passam curtas temporadas, mas suas presenças contribuam com a evolução cultural, econômica e social. Ajudem a edificar transformações na promoção do bem comum.

Fonte: Jornal A União - 14 de setembro de 2017

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