Páginas

sábado, 30 de setembro de 2017

Um "sim" hipócrita. Comentário semanal da Liturgia da Palavra


Pe. Cícero Roberto
Paróquia N. S. do Bonfim (Serra da Raiz/PB)

[Na Liturgia da Palavra deste 26º Domingo do Tempo Comum, Ano A] o profeta Ezequiel [18, 25-28] nos fala das consequências que recaem sobre a opção pessoal que cada pessoa toma frente ao bem e ao mal. Ele deixa bem claro que Deus estar sempre ao lado da justiça, das pessoas de boa conduta, mas sabe acolher com seu perdão quem se arrepende da prática do mal e passa praticar o bem.
 
Já Paulo faz um apelo às pessoas da sua comunidade para que pratiquem com humildade a caridade, e deixem de lado o espirito egoísta, da exclusão, (Fl 2,1-11).

O Evangelho, com a parábola dos dois filhos, ilustra duas atitudes diferentes quando o pai pede para trabalhar na sua vinha. (Mt 21,28-32). O que diz “não”, muda de ideia e vai; o que diz “sim”, termina não indo. Um sim hipócrita. 

Jesus pergunta aos sacerdotes e aos anciãos do povo de Israel: "Qual dos dois fez a vontade do Pai?" A resposta foi óbvia: aquele que disse não. 

O filho que diz “não” representa os pecadores, os "cobradores de impostos e as prostitutas"; o filho que diz “sim” representa os judeus, "os sacerdotes e anciãos". Esses se consideravam fiéis praticantes da Lei, mas agora rejeitam a lei do amor, o Cristo, enviado de Deus Pai.

Hoje em dia muitos se dizem cristãos católicos, mas não aceitam as orientações da Igreja. Não é possível ser cristão católico prescindindo da Igreja. Atualmente, há práticas religiosas pra todos os gostos. Muitos dizem “sim”, mas se diluem em “não”. Esses não conhecem os critérios do Evangelho, do amor a Jesus. Não sabem perdoar, porque criam seus próprios critérios, suas defesas próprias. Há os que se sentem incapazes de dar um "sim" abertamente para Deus, mas, na prática de cada dia, amam o irmão, se sacrificam pelos outros, executam muitas obras de caridade. Estes, ainda que não batizados, não conhecedores do Evangelho, são verdadeiros Filhos de Deus. Aonde não existe o amor e a caridade, aí reina o espirito do egoísmo, da hipocrisia, da mentira, da competição e da corrupção.

Nós somos cristãos pela graça de Deus e essa graça nós a recebemos na Igreja, fundada por Jesus, como sacramento universal de salvação, a favor da humanidade. Não basta professar a fé em Jesus Cristo, falar palavras bonitas; não basta dizer eu sou dessa ou daquela igreja, desse ou daquele grupo religioso; não é o suficiente ir ao culto ou à missa, se no seu coração não há sinceridade. Para refletirmos: A que filho nos assemelhamos? Ao primeiro, ao segundo? Ou será um pouco de cada um? 

Nenhum comentário: