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quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Dom Aldemiro: “Não é de hoje que a mão armada do latifúndio vem fazendo vítimas. É uma grave violação dos direitos humanos e um atentado ao Estado Democrático de Direito.”

Foto: Portal Independente

Em uma contundente nota de repúdio contra o assassinato brutal de dois agricultores do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, José Bernardo da Silva e Rodrigo Celestino, ocorrido no último final de semana na Paraíba, o Bispo da Diocese de Guarabira, Dom Aldemiro Sena, classificou o crime como “uma grave violação dos direitos humanos e um atentado ao Estado Democrático de Direito”.

Dom Aldemiro também lembrou na nota de repúdio o assassinato da líder sindical Margarida Maria Alves, no município de Alagoa Grande, há 35 anos, e destacou que “não é de hoje que a mão armada do latifúndio vem fazendo vítimas.”

O Bispo de Guarabira ainda encorajou os trabalhadores a continuarem lutando por justiça social  e afirmou que a Diocese de Guarabira, através da Comissão Pastoral da Terra (CPT), “acompanha a luta de dezenas de famílias excluídas por um sistema opressor e desumano, que na luta por uma sobrevivência digna são perseguidas e violentadas”.

Na segunda-feira (10), Dom Aldemiro presidiu a Missa de corpo presente do agricultor José Bernardo da Silva, também conhecido por Orlando Bernardo, no Assentamento Zumbi dos Palmares, em Mari, município que integra a diocese e onde residia o agricultor e militante do MST.

Leia a íntegra da nota de repúdio:
A Diocese de Guarabira vem publicamente repudiar e, ao mesmo tempo, manifestar irrestrita solidariedade aos familiares de José Bernardo da Silva e Rodrigo Celestino, brutalmente assassinados na noite deste sábado (08/12), no acompanhamento Dom José Maria Pires no Município de Alhandra. O episódio representa uma grave violação dos direitos humanos e um atentado ao Estado Democrático de Direito.
No entanto, não é de hoje que “a mão armada do latifúndio” vem fazendo vítimas. Há 35 anos foi derramado o sangue da líder sindical Margarida Maria Alves, num ato igualmente brutal e covarde. Zé Vicente, o poeta das comunidades, eternizou esta lembrança com acordes de encorajamento coletivo, quando cantou: “Não faz muito tempo, seu moço nas terras da Paraíba, viveu uma mulher de fibra Margarida se chamou. E um patrão com uma bala tentou calar sua fala e o sonho dela se espalhou”. 
Através da CPT – Comissão Pastoral da Terra, nossa Igreja particular acompanha a luta de dezenas de famílias excluídas por um sistema opressor e desumano, que na luta por uma sobrevivência digna são perseguidas e violentadas. Encorajamos esses trabalhadores que lutam organizadamente e civilizadamente, pois ouvimos os mandamentos do Mestre Jesus e trabalhamos por uma cultura de paz e fraternidade, onde justiça e paz se abraçarão, contra o ódio e a guerra. A vida em primeiro lugar!
De acordo com uma nota oficial divulgada pelo MST-PB, homens encapuzados invadiram o acampamento enquanto o grupo jantava, e efetuaram diversos disparos contras as vítimas, que não resistiram e morreram no local. Isto é inaceitável!
Aproveitamos para cobrar justiça! O direito à impunidade não existe e nem deve existir! 
Dom Aldemiro Sena dos Santos
Bispo diocesano de Guarabira

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