Páginas

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

O dia em que a internet acabou

Por Luís Giffoni*

A internet conecta hoje quase quatro bilhões de pessoas. Existe até um reloginho que conta, on line, o número de novos usuários. Ele não para de rodar. O número assusta mais que a vitória de Trump. Nunca houve tanta gente plugada, nunca se comunicou tanto. Se estamos mais próximos uns dos outros, é outra questão. No mínimo, estamos falando mais. Escrevendo também. Seja nas redes sociais, seja para começar uma start up, seja na circulação do conhecimento, seja para pedir uma pizza, seja para encomendar um par de tênis na China, seja para se localizar em qualquer ponto da Terra, seja para controlar o fluxo migratório das baleias.

Muitas pessoas vivem literalmente da internet, ganhando dinheiro ou viciadas em telinhas. Outras a utilizam como ferramenta de trabalho, de estudo, de pesquisa. A maioria apenas se diverte. O importante é que ninguém hoje se imagina sem o computador, sem o Facebook, sem o WhatsApp e centenas de aplicativos.

Imagine o mundo amanhecer sem a internet. Um apagão geral. Nenhum email, nenhum game, nenhum namoro acessível. A Campus Party não aconteceria. Os bancos não fariam a compensação dos cheques. Os aviões ficariam perdidos nos céus. O trânsito nas grandes cidades se transformaria em confusão ainda maior. Não haveria aula. O caos se instalaria, das Américas ao Japão. Muita gente correria o perigo de morrer. Isso é possível?

Sim. Não precisaríamos de uma guerra hightech em que os beligerantes destruíssem os satélites que tornam a internet possível. Não precisaríamos de uma louca retaliação contra tudo e contra todos por parte dos Estados Unidos (via Trump), que construíram e controlam a maior parte da rede mundial, retirando dela a informação que lhes interessa (a inviolabilidade das mensagens é balela: nunca existiu). Bastaria um pouco mais de luz. Luz? Como assim?

O Sol é uma máquina incansável de produção de luz, isto é, de todo tipo de radiação. Lança no espaço a cada segundo zilhões de partículas que eliminariam a vida, caso a Terra estivesse mais próxima ou não possuísse o escudo da atmosfera. Por outro lado, essas partículas supririam todas as nossas necessidades energéticas, caso conseguíssemos armazená-las. A cada onze anos essa emissão passa por um ciclo de máximo e mínimo. Às vezes, o pico é muito alto, como se observa no início do século 21. Em outras palavras, a quantidade de radiação lançada tem sido maior. Essa radiação danifica os satélites. Se uma emissão excepcional de matéria acontecer, todo o sistema em órbita pode ficar comprometido.

Os satélites possuem mecanismos de proteção, e a NASA informa diariamente o tamanho e o momento de chegada à ionosfera das descargas mais significativas. Estatisticamente tsunamis solares são possíveis. Já aconteceram. Se voltarem a ocorrer, os sistemas de comunicação serão literalmente torrados.

A probabilidade é remota, é verdade. No entanto, e se... ? Com a adesão mundial à internet, viveremos o caos. Um juízo final para muita gente. Seria bom termos um Plano B. Aquela velha história: prudência e caldo de galinha...

*Luís Giffoni tem 25 livros publicados. Recebeu diversas premiações como do Prêmio Jabuti de Romance, da APCA - Associação Paulista de Críticos de Arte, Prêmio Minas de Cultura, Prêmio Nacional de Romance Cidade de Belo Horizonte.

Fonte: Dom Total

Nenhum comentário: